Gentil Garcez 

 

Santos, SP, 1903 – Santos, SP, 1992.

 

Filho legítimo de Rodrigo Garcez e de. Laudelina Garcez. Seus primeiros estudos foram feitos, modestamente, no grupo escolar "Dr. Cesário Bastos", e já aí, nesse estabelecimento, manifestaram-se as suas tendências artísticas.

Antes de terminar seus estudos primários, Garcez, que se iniciara na pintura sob os cuidados de sua própria mãe, que era hábil desenhista; já ia bem adiantado na arte suprema de Raphael e Velasquez.

Mais tarde, passou ele a estudar com uma conhecida pintora local, cujos cuidados deixava pouco depois, levado pelo seu temperamento de liberdade artística e pelas suas manifestações naturais apuradas, que exigiam um mestre superior, de mais amplos recursos e que melhor compreendesse a sua natureza, abrindo campo à sua ânsia febril de avançar, através de uma interpretação própria e de seu modo particular de sentir. Foi então que ele começou a freqüentar o atelier de Benedicto Calixto, o veterano mestre, de cujos ensinamentos resultaram os seus conhecimentos atuais, em grande parte, frutos também da persistência e de sua grande vocação.

Sua primeira exposição realizou-a Garcez ainda com a idade de 16 anos, expondo então cerca de quarenta telas, onde já revelava o seu grande temperamento e a sua qualidade de artista nato, sendo bem recebido pelo público e pela imprensa. Cumprido o primeiro contato com o meio social, dois anos depois, em 1921, realizava o pintor santista uma segunda exposição, no hall do antigo Politeama Rio Branco. Eram outras 33 telas de valor, que vinham integrar o jovem artista na galeria dos bons pintores que a cidade teve ocasião de apreciar. Os críticos julgavam-no uma legítima precocidade e gabavam-lhe os traços principais do talento.

Ângelo Guido, o excelente artista, escritor, inimigo de críticas de pintura, visitando-lhe a exposição (segunda que fazia e com 18 anos apenas), não resistiu à vontade de demonstrar o seu entusiasmo por aquela revelação bem santista, e, assim, vêmo-lo, numa coluna inteira da À Tribuna, de 30/6/1921, expressar-se desta forma:

“Gentil Garcez é mais uma alma que acorda para os tormentos da arte e do sonho”. Para mim, a última exposição desse moço cheio de esperanças e dotado de belo talento, foi uma revelação. Não julgava que num meio tão ingrato para a arte como Santos, se pudesse em tão pouco tempo progredir tanto. Venho seguindo há dois anos os progressos artísticos de Gentil Garcez e cada vez mais me convenço de que esse jovem artista é uma grande promessa para a Arte no Brasil.

"Escrevo a respeito de Gentil Garcez, porque se trata de um moço despretensioso que se está desenvolvendo com esforços inauditos, e que, acima de tudo, é sincero, porque ama mais a sua arte do que toda a glória fútil, tão fácil de se conquistar aqui no Brasil, quando não se tem talento, mas dispõe-se de amigos na imprensa ou de uma boa garganta. Gentil Garcez é tímido, incapaz de mendigar um pouco de glória, eis por que o admiro.

"Gentil Garcez vive nos seus quadros; transmite às suas telas alguma coisa que ele viu e sentiu, uma parte de sua alma sensível à beleza, a essa beleza que nem sempre é possível transmitir como é sentida, etc. ...".

De 1921 em diante, mais e mais se aprimorou Garcez em sua arte, desvendando todos os segredos da sua capacidade. Em 1922, tomou parte na 1ª Exposição Geral de Belas Artes, em São Paulo, com três ou quatro telas. Tinha, então, 19 anos. Em 1923 realizou nova exposição em Santos, a terceira de sua brilhante trajetória artística, com trinta e poucas telas. Com intervalo de dois anos, realizou ainda mais duas exposições de vários gêneros.

Em 1934, participava do 1º Salão Paulista de Belas Artes, com as telas Meditação, Fugitivo e Para a pesca. No ano seguinte, 1935, figurava também no 2º Salão Paulista de Belas Artes, agora com as telas Barqueiro, Longe da pátria, Volta ao trabalho e Manhã de abril, merecendo destaque entre os concorrentes e ótimas referências de toda a imprensa paulistana, que o qualificou entre os grandes pintores de São Paulo.

Em setembro de 1936, realizou sua sexta exposição em Santos, exibindo 40 telas primorosas, entre as quais: Mendigo, A onda, Luz e sombra, Últimos raios, O quinhão, O fugitivo, Longe da pátria, Dia de sol, O velho, Volta do campo, Vendedora de frutas, Sol na estrada, Brumas da Manhã, Carícias de sol, Mimosa, Troncos, Na feira, Volta do trabalho, Manhã de sol, No pasto, Praiano, Sol e Sombra, Cachimbando, Reflexos, Mãe pobre, Amigos, Para a pesca, Retirando o barco.

Conhecemos ainda, de sua autoria, as seguintes telas: Tarde de Santos, Rancho de pescadores, Crepúsculo (Itararé), Frutas, Paisagem, Após a pesca, Manhã brumosa, Efeitos de luar, Pé de vento, Poente, Nocturno, Verdi, O anoitecer, Manhã, Canto de praia (Guarujá), Rochas (Ilha Porchat), Framboião da fonte (São Sebastião), Tarde chuvosa, Vista da cidade (São Sebastião), Choupana de pescadores (São Sebastião), Ao longe (São Sebastião), Velho tamarindeiro (São Sebastião), Paisagem (São Sebastião), Velho muro (São Sebastião), Canto de praia (São Sebastião), Ruínas (Vila Bellla), Pôr de sol (São Sebastião), Noite de luar (São Sebastião), Ruínas (São Sebastião), Últimos raios (São Sebastião), Estudo, José Menino (Santos), Retrato de Francisco Dalmonte  e Carneiros.

É de Gentil Garcez o estupendo retrato do pintor Benedicto Calixto, adquirido pelo Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, e instalado em seu salão de conferências.

Pela grande procura e aquisição dos quadros de Garcez, pode-se calcular bem o artista que ele indiscutivelmente é, apesar de ser um pintor essencialmente santista, que aqui nasceu e aqui se fez, e que com todo o direito faz parte da galeria dos filhos de que se orgulha a cidade.

Contam-se já por várias centenas de quadros a obra desse artista original, que leciona pintura e desenho em Santos, modestamente, a domicílio, ou em seu atelier, e disso vive, numa época materialista como a que atravessamos.

 

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