|
Perissinotto, Giuseppe
Pasquale
1881, Veneza, Itália – 1965, São Paulo,SP. Em 1900 transferiu-se com a
família para o Brasil, fixando-se em Brotos, São Paulo. Aos dezoito anos
de idade, voltou para a Itália, matriculando-se na Academia de Belas
Artes de Veneza. Em Florença, teve a orientação de mestres de Giovanni
Fatori e Adolfo de Carolis. Em 1912 voltou definitivamente para o
Brasil. No Brasil, realizou muitas exposições, tendo fundado em 1919 na
escola de desenho e pintura no Brás. Em 1928 realizou a decoração do
grande teto circular do Cine-Teatro Oberdan, em São Paulo. Esta obra,
considerada muito importante pelas testemunhas oculares de suas
realizações, desapareceu com a demolição do prédio. Sua vida, embora
operosa, foi pacata e mais ou menos reclusa. Referindo-se à sua obra, na
ocasião da comemoração do centenário de nascimento do artista, escreveu
José Roberto Teixeira Leite: “Foi na paisagem, quer nos parecer, e na
pintura de marinhas, que Perissinotto alçou-se a nível mais alto, como
pintor; mas o que nos legou como figurista, decorativista e autor de
naturezas-mortas (essas particularmente abundantes para os últimos anos
de sua existência) merecem também respeito crítico. Suas
naturezas-mortas de flores e de frutas revelam o sólido desenhista e o
colorista por vezes inesperado que foi; e quanto às figuras, deixando em
segundo plano os retratos, muitos deles episódicos, fruto antes da
necessidade de sobrevivência do homem, mais do que da inquietação do
artista, destaca-se o modo como cultivou o nu, quer em pinturas quer em
elegantes desenhos, esses dotados de uma modernidade maior,, mercê de um
traço sintético e de uma extrema vitalidade. Perissinotto não se
integrou a rigor em qualquer núcleo ou grupamento de artista: homem que
vivia para a pintura e a família, pouco tempo lhe terá sobrado para
cavaquear com os colegas pelos ateliers e muito menos pelos bares; de
resto, suas numerosas exposições, entre uma viagem e outra, devem
ter-lhe ocupado todos os instantes. Um isolado, de temperamento
encaramujado, preferia ao dialogo com os homens, por mais interessantes
que fossem, o eterno monólogo perante a cavalete. Trabalhando
intensamente e por quase cinqüenta anos, é natural que tivesse deixado
obra vasta, revelando-se, em seus melhores momentos, pintor e artista de
altos méritos, uma das personalidades mais íntegras e sensíveis de seu
tempo no seu meio, senhor de uma técnica e de um estilo admiráveis. E é
justamente por tais méritos e por essas qualidades que Renato Magalhães
Gouvêa Escritório de Arte, a quem coube em 1973 a redescoberta do
artista, em significativa exposição que serviu como um renascimento,
aqui está de novo a rememorá-lo, no ano do centenário de seu
nascimento”. Realizou individuais em São Paulo (SP), Rio de Janeiro
(RJ), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Pelotas
(RS) e Corumbá (MS). Expôs com freqüência no SPBA (SP), sendo premiado
nas edições de 1938 e 1942.
|