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Jenner Augusto
1924, Aracaju, SE –
2003, Salvador, BA
Sergipano de nascimento, Jenner Augusto foi, no entanto, um dos
integrantes do movimento de renovação das artes plásticas na Bahia,
durante a década de 50, junto com Mário Cravo Jr., Genaro de Carvalho,
Carlos Bastos e Carybé, entre outros. Antes disso, em seu estado, foi o
precursor da Arte Moderna, já que em 1949 realiza os murais decorativos
do Bar Cacique, com claras referências à obra de Portinari.
Filho de uma professora, Jenner passou grande parte de sua infância
mudando pelas cidades do interior de Sergipe. Humilde, trabalhou como
engraxate, sapateiro, ajudante de alfaiate, pintor de paredes, até
começar a fazer cartazes para filmes. Começa a se interessar pela obra
de Horácio Hora (1853 - 1890) na década de 40, o que incentiva a sua
pesquisa no campo da pintura. Seus primeiros trabalhos são acadêmicos,
já que o contato com o Modernismo já amadurecido no Rio de Janeiro e em
São Paulo era quase impossível. Por volta de 45, data de sua primeira
exposição, começa a integrar-se no ambiente artístico de Aracajú, e em
49 realiza a decoração do Bar Cacique, marco da Arte Moderna no Sergipe,
onde aparece clara influência de Portinari, prova que as informações dos
centros culturais do país começavam a chegar às capitais.
Neste mesmo ano muda-se para Salvador, onde conhece Mário Cravo e Rubem
Valentim, com eles expondo no ano seguinte na mostra Novos Artistas
Baianos, junto com Lygia Sampaio. Nos anos seguintes, além de participar
da I Bienal de São Paulo (51), realiza importante mostra na Galeria
Oxumarê, de Salvador (52), participa do Salão Nacional de Arte Moderna,
no Rio, em 53 voltando a expor até 62, além de receber o prêmio de
viagem da UFBa no V Salão Baiano de Belas Artes (54). Expondo no Rio de
Janeiro, em 55, conhece Portinari e Pancetti, que divulgam o artista no
meio artístico. É neste mesmo ano que conhece o maior divulgador de sua
arte e um de seus maiores fãs, Jorge Amado.
Sua obra, esta altura, era marcada pela influência de Portinari, e a
temática começava a tornar-se baiana, sempre retratando trabalhadores
e cenas cotidianas. Em 53 realiza o afresco Evolução do Homem, no Centro
Educacional Carneiro Ribeiro, em Salvador, que além de Portinari,
carrega forte influência do muralismo mexicano, como de resto acontecia
com outros artistas da época. A partir do final da década, no entanto,
Jenner se aproxima da abstração lírica, e seu trabalho demonstra uma
maior preocupação cromática, em detrimento da linha.
Retoma a figuração logo depois, com a série Alagados, denunciando a
pobreza ao mesmo tempo que pintando com um colorido que dá à estas obras
um extremo lirismo. Surgem outras séries, como a dos Coroinhas, mas de
maneira geral, a partir do final dos anos 60, sua obra é paisagística,
oscilando sempre entre o figurativo e o abstrato, com predomínio
constante dos grandes planos cromáticos, sem grandes inovações até os
dias atuais. |